Cientistas criam o primeiro pâncreas 3-D in vitro


O modelo 3-D microscópio permitirá aos investigadores ver como se desenvolve o câncer do pâncreas.

Os cientistas em Toronto criaram um minúsculo modelo órgão 3-D in vitro dos ductos pancreáticos para ajudá-los a realizar pesquisas sobre o câncer do pâncreas - um dos mais letais e menos compreendidos de todos os cancros. Este modelo inovador de órgãos em 3-D pode levar a novas maneiras de detetar e tratar o câncer do pâncreas, que tem uma taxa de sobrevivência muito baixa, sendo que apenas 6% dos pacientes sobrevivem cinco anos após o diagnóstico.

Pacientes com câncer pancreático têm um prognóstico muito reservado, pois o câncer causa poucos sintomas até atingir a sua fase final, altura em que já é intratável. É também particularmente agressivo, espalhando-se mais rapidamente do que muitos outros tipos de câncer. Os cientistas sabem muito pouco sobre o que faz e continua a ser um dos cancros menos financiados e estudados.

Com $200.000 (cerca de 165.000€ ou R$410.000) da Sociedade Canadense de Câncer, Dr. Senthil
Muthuswamy usará o modelo 3-D biológico que criou para desvendar o mistério do início do desenvolvimento do câncer do pâncreas no fundo do sistema de dutos do órgão. Usando milhares de minúsculos modelos 3-D em placas de Petri no seu laboratório, o Dr. Muthuswamy, juntamente com a sua equipe, no Hospital Princesa Margaret de Toronto, vai usar a manipulação genética para recriar os eventos que levam à formação de câncer no pâncreas. Os investigadores vão adicionar genes, hormônios e outros agentes para ver o que leva as células a transformem-se em lesões cancerosas. Em pacientes, infelizmente, estas lesões progridem muito rapidamente para uma fase tardia de câncer pancreático.

"Na maioria das pesquisas em câncer biológico, nós crescemos e estudamos as células numa camada plana, como relva/gramado, numa placa de Petri", diz o Dr. Muthuswamy. "Mas não existem células assim nos nossos corpos. Elas existem como tubos 3-D e vasos, por isso, se os estudarmos numa monocamada, não seremos capazes de fazer todas as perguntas da forma mais correta. Estes modelos são muito mais realistas, muito mais próximos do que realmente acontece nos nossos corpos. "

Dr. Muthuswamy e a sua equipe usaram os modelos 3-D para observar os diferentes estágios da doença. Espera-se que isso leve à identificação de novos marcadores biológicos para detetar e diagnosticar precocemente o câncer do pâncreas (semelhante à maneira como os pontos altos de colesterol apontam para um maior risco de doença cardíaca).

"Estamos muito entusiasmados com esta poderosa descoberta, porque vai definir o cenário para a identificação de novos biomarcadores e tratamentos para o câncer de pâncreas", diz o Dr. Muthuswamy. "Isso realmente leva-nos a uma nova dimensão."

Dra. Mary Argent-Katwala, Diretora de Pesquisa da Sociedade Canadense do Câncer diz: "Há uma enorme necessidade de fazer mais investigação, porque o câncer do pâncreas é um dos cânceres mais mortais.". "Estamos ansiosos por financiar o trabalho do Dr Muthuswamy, que irá fornecer informações valiosas sobre a compreensão de como o câncer de pâncreas se desenvolve para que possa ser diagnosticado precocemente e tratado de forma mais eficaz. Além disso, este novo e excitante modelo vai ajudar os investigadores em todo o mundo no seu trabalho em câncer do pâncreas. "

Em 2012, estima-se que cerca de 4.600 canadenses serão diagnosticados com câncer de pâncreas e 4.300 morrerão da doença.

Fonte: NewsWire

Tradução/Adaptação: Inês Barreiros
Revisão: Emanuel Lima Oliveira

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