Droga consegue eliminar HIV latente


Investigadores da Universidade da Carolina do Norte em Chapel Hill publicaram uma pesquisa pioneira demostrando o efeito de uma droga usada para tratar certos tipos de linfoma sendo capaz de desalojar o vírus escondido em pacientes que estavam a receber tratamento para o HIV.

A existência de reservatórios de HIV/SIDA latente persistentes no sistema imunológico que não são atacados por drogas anti-AIDS/SIDA é considerada uma das principais razões que leva ao reaparecimento da infeção quando os pacientes paravam de tomar a medicação. A interrupção e a depuração desses reservatórios são fundamentais para encontrar uma cura para a AIDS/SIDA.

O estudo foi publicado na edição de 25 de julho da revista científica Nature.

Investigadores da UNC, trabalhando em colaboração com cientistas da Harvard School of Public Health, National Cancer Institute, Merck, e da Universidade da Califórnia em San Diego, empreenderam uma série de experimentos para avaliar o potencial da droga vorinostat, um inibidor de desacetilase que é usado para tratar alguns tipos de linfoma, para ativar e perturbar o vírus latente.

Inicialmente, as experiências de laboratório medindo os níveis ativos, as experiências em laboratório medindo os níveis ativos de HIV em células T CD4 +, que são especializadas em células brancas do sangue que o vírus utiliza para replicar, mostraram que o fármaco vorinostat desmascarou o vírus oculto nestas células. Subsequentemente, vorinostat foi administrado a oito homens infetados pelo HIV que eram medicamente estáveis em terapia anti-retroviral e os níveis de vírus HIV ativo foram medidos e comparados com os níveis dos mesmos antes da administração do fármaco.

Os pacientes que receberam vorinostat mostraram um aumento em média de 4,5 vezes dos níveis de RNA do HIV em células T CD4 +, evidenciando que o vírus estava a s desmascarado. Este é o primeiro estudo publicado que demostra o potencial dos inibidores desacetilase, atacando a latência de vírus latentes a partir de um estudo clínico de translação.

"Este trabalho fornece uma nova estratégia para atacar diretamente e erradicar infecções por HIV latente", disse David Margolis, MD, professor de medicina, microbiologia e imunologia e epidemiologia na Universidade da Carolina do Norte em Chapel Hill. Marcar a latência é o primeiro passo num caminho que pode conduzir a uma cura.

"A longo prazo, o uso disseminado de anti-retrovirais tem consequências para a saúde pessoal e pública, incluindo efeitos colaterais, os custos financeiros, e resistência", disse Margolis, que liderou o estudo. "Temos que descobrir outras formas para acabar com a epidemia, e esta pesquisa oferece uma nova esperança para erradicar o HIV completamente do corpo.".


Fonte: StoneHeart
Tradução/Adaptação: Emanuel Lima Oliveira 
Revisão: Inês Barreiros

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