Gel de nanopartículas um novo tratamento para o câncer


Os tumores caracterizam-se por secretar produtos químicos que confundem o sistema imunitário e debilitam as defesas biológicas.

Para combater esse efeito, alguns tratamentos de câncer tentam neutralizar o arsenal químico do câncer e melhorar a resposta imunitária, embora as tentativas de conseguir ambos, ao mesmo tempo, raramente sejam bem sucedidas.

Agora, os investigadores desenvolveram um novo sistema que, simultaneamente, proporciona uma dose equilibrada dos dois pontos referidos anteriormente: reforçar o sistema imunitário e contrariar, quimicamente, as secreções libertadas pelo câncer, conseguindo, assim, uma terapia poderosa que, nos ratos, retarda o crescimento dos tumores, tendo verificado tumores em remissão e um drástico aumento da taxa de sobrevivência.




Os investigadores, todos eles provenientes da Universidade de Yale, divulgaram as suas descobertas no dia 15 de Julho na edição da revista Nature Materials.

A nova imunoterapia incorpora drogas bem estudadas, mas entrega através de nanolipogéis (NLGs), uma nova tecnologia de transporte de drogas/medicamentos que os investigadores projetaram. Os NLGs são nanopartículas ocas, esferas biodegradáveis, cada uma capaz de acomodar grandes quantidades de moléculas quimicamente diferentes.

As esferas parecem acumular-se nas membranas ou nos vasos sanguíneos de tumores, libertando o seu conteúdo de forma controlada e sustentada quebrando gradualmente as paredes da esfera na corrente sanguínea.

Em experiências recentes, os NLGs continham dois componentes: uma droga inibidora uma partícula de defesa do câncer particularmente potente chamada fator de crescimento transformante β-(TGF-β), e interleucina (IL-2), uma proteína que leva o sistema imunitário a responder a ameaças localizadas.

“Pode-se pensar no tumor e no seu microambiente como um castelo e fosso”, diz TareK Fahmy, da Universidade de Yale, professor de engenharia e bolsista do NSF CAREER, que liderou a pesquisa.

 “Os castelos são tumores cancerígenos, que evoluíram de uma estrutura altamente inteligente – células tumorais e vasculatura. O “fosso” é o sistema de defesa do câncer, que inclui o TGF- β. A nossa estratégia é a de secar o fosso neutralizando o TGF- β. Fazemos isso usando o inibidor que é libertado dos nanolipogéis. O inibidor, efetivamente, bloqueia a capacidade do tumor de resistir à resposta imunitária”.

Ao mesmo tempo, os investigadores estimulam a resposta imunitária na região envolvente do tumor através da apresentação de IL-2 - uma citoquina que é uma proteína que “diz” às células de defesa que existe um problema. “A citoquina pode ser vista como uma forma de conseguir reforços para atravessar o fosso seco para dentro do castelo e do sinal para entrar ser mais forte”, acrescenta Fahmy. Neste caso, os reforços são as células-T do sistema imunitário. Ao cumprir estas duas metas num único tratamento, o corpo tem uma chance maior de derrotar o câncer.

O presente estudo foi direcionado tanto para melanomas primários como melanomas que se espalharam para os pulmões, demonstrando, assim, resultados promissores com um câncer que se adapta bem à imunoterapia e para os quais a radiação, quimioterapia e cirurgia se revelam infrutíferas, particularmente quando o tumor é mestástico.

De uma forma mais simplificada, para atacar o tumor com alguma probabilidade de sucesso, ambas as drogas precisam estar no mesmo local, ao mesmo tempo e em doses seguras. Os NGLs parecem ser capazes de realizar este duplo tratamento com segmentação adequada e uma libertação sustentada que se mostrou ser a mais segura para os animais submetidos à terapia.

Como resultado final, temos um veículo de entrega de drogas à nanoescala que parece possuir os parâmetros necessários para o tratamento ser bem-sucedido. Isto também porque cada NLG é pequeno o suficiente para viajar através da corrente sanguínea, mas grande o suficiente para ficar retido nos vasos sanguíneos envolvidos com o câncer.

Concluindo, um sistema como este pode revelar um grande potencial para o tratamento não só de melanomas, mas de vários tipos de câncer.

Fonte: StoneHeart
Tradução/Adaptação: Inês Barreiros
Revisão Fernando Góis
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