Proteínas fluorescentes ajudam diagnósticos


Proteínas fluorescentes permitem conhecer melhor o sistema nervoso e são avanço em pesquisas sobre doenças psiquiátricas

Genes que conferem aos neurônios tons fluorescentes de vermelho, amarelo e ciano foram inseridos em ratos, permitindo uma melhor visualização do que acontece entre os neurônios: quais são seus campos? Como eles se ligam? Essas são algumas das perguntas que Jeffrey Lichtman, Jean Livet e Joshua Sanes querem responder. Ao ativar proteínas fluorescentes nas três cores citadas, os pesquisadores podem criar noventa tonalidades diferentes, número bem superior ao que é possível com a marcação fluorescente atual, criando imagens do
cérebro e do sistema nervoso nunca vistas antes. O resultado se constitui de imagens que tiram o fôlego e que parecem obras de arte.

Lichtman alega: “Nós não pensamos normalmente das células nervosas como organismos vivos, mas na verdade, elas estão vivas. Estão apenas vivendo dentro de seu cérebro. Mas todas elas têm que sobreviver, e para isso, elas têm de competir umas com as outras por recursos.”. Ele tem uma visão evolucionista sobre seleção neuronal, vejamos qual é no fragmento da Gazeta de Havard a seguir.

“Há uma guerra acontecendo dentro de nossos corpos, no início da vida. Os combatentes são células nervosas motoras, os corpos estranhamente ramificados que levam os sinais nervosos do cérebro para os músculos e que são responsáveis por todos os nossos movimentos, em uma corrida através de um campo para a menor contração de um dedo. O prêmio são as fibras musculares que estão lutando para controlar.

Cada célula nervosa envia dedos com ramificações múltiplas chamados axônios que se comunicam com muitas fibras musculares, que também estão em contato com axônios de outras células nervosas.
E uma batalha acontece. As terminações nervosas diferentes competem lado a lado até que uma é a vencedora e torna-se o canal de mensagens do cérebro para aquela região particular do músculo. Entretanto, a batalha nos deixa desamparados.” De acordo com o professor de Biologia Molecular e Celular, Jeff Lichtman, isso é a verdadeira razão pela qual bebês humanos começam a vida tão carentes. "Um bebê não pode virar, não pode entender a linguagem, a sua coordenação é péssima, ele não pode ver muito bem", disse Lichtman. "Há algo sobre todos os aspectos de seu sistema nervoso que não está certo." Isso é, no mínimo, intrigante para nós que estamos acostumados a tratar o cérebro como algo estático, mas ao mesmo tempo é fascinante pelas possibilidades que se apresentam.

Em termos práticos, por que esse trabalho é importante? De acordo com Lichtman, há toda uma classe de doenças que supostamente são causadas por defeitos nas conexões entre as células nervosas, mas não temos ferramentas reais para rastrear tais problemas. De acordo com ele: "Seria muito útil olhar para conexões em modelos animais de desordens do espectro autista ou doença psiquiátrica". Os pesquisadores se denominam como naturalistas porque observam o que acontece entre os neurônios. O que você acha dessa rede colorida?

Fonte: NeuroAnthropology.net
Tradução/Adaptação: Letícia Farias
Revisão: Fernando Góis


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