Usuários de cannabis mostram declínio neuropsicológico (QI)


Relatórios recentes mostram que menos adolescentes acreditam que o uso de cannabis regularmente é prejudicial à saúde. Concomitantemente, os adolescentes estão iniciando o consumo de cannabis em idades mais jovens, crianças e adolescentes estão usando cannabis em uma base diária.

Um estudo provou que os adolescentes que fumam cannabis com regularidade acabam por prejudicar permanentemente a sua inteligência

O estudo, que foi publicado na revista Proceedings of the National Academy of Sciences, teve como base o seguimento de mais de 1000 pessoas durante 25 anos (18, 21, 26, 32, 38) permitindo comparar o quociente de inteligência (QI) dos participantes consumidores e dos não consumidores de cannabis aos 13 anos de idade e aos 38 anos.

Madeleine Meier, autora principal da investigação e psicóloga na Universidade de Duke, na Carolina do Norte, explica que os consumidores regulares de cannabis na adolescência revelaram, em média, uma queda
de oito pontos no QI na vida adulta, além de mais falhas na capacidade de memorizar, na concentração, no raciocínio e processamento visual, entre outras funções. 

A investigadora salienta que, em princípio, o QI é “um indicador estável” nestas fases da vida e que entre os não fumantes foi mesmo possível registar uma ligeira subida. Além dos testes de QI, o estudo contou com entrevistas aos familiares mais próximos dos participantes, que ajudaram a apontar alguns problemas entre os consumidores frequentes.

“O QI é um elemento fortemente determinante para o acesso à universidade, ao emprego e o desempenho no trabalho”, refere Madeleine Meier. Os consumidores que perderam em média oito pontos enfrentam, assim, uma “desvantagem perante os seus pares da mesma idade”, já que a adolescência é um “período muito sensível para o desenvolvimento do cérebro”, que está particularmente vulnerável às drogas. E, mesmo os que interromperam o consumo, não revelaram qualquer melhoria significativa.

O estudo assegura que na comparação foram descartados outros fatores que poderiam ter interferido nas conclusões, como a educação dos participantes, o consumo de álcool ou de outras drogas. Da mesma forma, os participantes que apenas reportaram ter consumido cannabis a partir da idade adulta não revelaram tantos efeitos a nível intelectual. Porém, o estudo nada refere sobre as quantidades consumidas, dizendo apenas que foram considerados consumidores frequentes os participantes que fumavam cannabis mais do que uma vez por semana antes dos 18 anos.

Os pesquisadores concluem, que os resultados são sugestivos de um efeito neurotóxico da cannabis sobre o cérebro adolescente, e que deve haver um esforço conjunto para retardar o início do uso de cannabis, na tentativa de minimizar seus danos à inteligência.

Edição/adaptação: Fernando Góis
Imagem: UKC
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