A Era da Epigenética


E se Lamarck não estivesse assim tão errado?

A Epigenética é o ramo da Genética que estuda, de uma forma geral, a forma como os genes estão ativos ou silenciados, de acordo com os fatores externos/ambientais, tais como estilo de vida, stress, nutrição, clima, etc, não envolvendo modificações na sequência do DNA.

Existem dois principais processos responsáveis pela expressão gênica, sendo eles a metilação do DNA e a modificação da cromatina. No primeiro caso tratasse de um processo através do qual um grupo metil é adicionado à base de um nucleótido, e o segundo consiste nas alterações que podem afetar a seleção de genes
disponíveis para a transcrição.

Estudos recentes demonstram que diversos tipos de câncer estão associados, por exemplo, a padrões aberrantes de metilação do DNA, que não são definitivos e podem ser revertidos por fatores ambientais, tais como a nutrição e estilo de vida.

São os efeitos epigenéticos que fazem com que dois gêmeos verdadeiros (monozigóticos) vivendo em locais e contextos sociais diferentes, tenham doenças ou outras características fenotípicas diferentes um do outro.

Aliás, a alimentação pode alterar a expressão gênica ainda no feto, daí o ambiente nutricional pré-natal ser fundamental para a saúde deste.

Mas, de acordo com a seleção natural, processo da evolução proposto por Darwin, não deveriam doenças como o câncer desaparecerem?

A resposta é simples: não. Seleção natural não é sinônimo de perfeição natural. Os seres vivos desenvolveram algumas adaptações incrivelmente complexas, mas somos bastante vulneráveis a doenças.

Assim, a seleção natural, apesar de ter a capacidade limitada de nos ajudar a prevenir o câncer, é incapaz de o eliminar. Além disso, as forças evolutivas podem até favorecer alguns genes que contribuem para a agressividade do câncer.

Isto faz com que os seres vivos possam eles próprios contribuir para a expressão gênica, através dos fatores ambientais. Todos nós podemos ter algum cuidado com o que comemos e com o que fazemos. Assim, reunindo todas as condições necessárias, um gene mutado com consequências graves pode estar silenciado toda a vida.

O que leva a crer que, afinal de contas, Lamarck não estava assim tão errado.

Texto: Pedro Lino
Revisão: Fernando Góis
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