Profissionais de biotecnologia: atualidade e perspectivas


Um profissional de biotecnologia é todo pessoal disposto e capaz de atuar diretamente em qualquer segmento da biotecnologia, quer seja formado em ensino superior ou técnico, havendo distinição apenas nos cargos que serão ocupados de acordo com a formação. Encaixam-se nessa definição:

Biotecnólogos – Formação em Curso Superior Tecnológico de Biotecnologia;
Biotecnologistas – Formação em Curso Superior do tipo Bacharelado em Biotecnologia;
Engenheiros de Bioprocessos – Formação em Curso Superior de Engenharia de Bioprocessos;
Engenheiros de Biotecnologia – Formação em Curso Superior de Engenharia de
Biotecnologia/Engenharia Biotecnológica;
Técnicos em Biotecnologia – Formação em Curso Técnico de Biotecnologia.

           Durante o texto, daremos um enfoque maior aos cursos de Ensino Superior, até por ser esse o nicho da LiNAbiotec atualmente.

           Reconhecemos que muitos outros profissionais de outras formações trabalham em áreas afins com a biotecnologia, ou com o próprio setor no Brasil. Para tentar explicar a causa disso, é interessante obeservarmos o rumo natural das profissões. É observável que as profissões exercidas atualmente não são as mesmas de outrora. Estão “extintos” os foguistas, as fiandeiras e os aguadeiros, por exemplo. Esses nomes podem parecer bastante estranhos, porém esses profissionais tiveram seu papel nas sociedades em que existiram. Com o advento de novas tecnologias e com a mudança de costumes, tais profissionais tornaram-se obsoletos, e precisaram buscar novas funções empregatícias.

           Esse processo de criação, extinção e modificação de profissões acontece atualmente e deve acontecer sempre, afinal um profissional deve estar preparado para prestar serviços a sociedade, e quando a última passar a não precisar dos seus serviços, ele deixa de ser útil. É um modo bem capitalista de se pensar, contudo é o sistema a que estamos submetidos, e as profissões dependem, hoje, existencialmente desse sistema. Mas o propósito desse texto não é questionar ideologias sociais. É sim, explicar o papel dos profissionais de biotecnologia no contexto nacional e mundial.

           Não é novidade que, desde o século passado, a ciência tem caminhado de forma bastante ágil. E que, inserido nesse contexto, a biotecnologia certamente é um dos campos que mais avançou. Pois, se pensarmos na biotecnologia que existia na fabricação de fermentados antes de Cristo e todo o conhecimento que estava por trás dessas técnicas, vamos achar pouca semelhança a era genômica na qual vivemos. Avançou ainda mais rápido, se considerarmos o início da biotecnologia moderna como sendo a primeira molécula de DNA recombinante, alcançada por Paul Berg em 1972. Partindo desse princípio, é perceptível que a biotecnologia avançou tão rapidamente que, a legislação para a execução de atividades biotecnológicas, bem como a formação de profissionais específicos para atuarem no campo, não tenham acompanhado com a mesma rapidez. É natural que outros profissionais assumissem os campos que se assemelhavam com o que eles já faziam, por não haver ninguém formado especificamente para ocupar o lugar. E se falarmos do Brasil, a situação fica ainda mais recente, pois o primeiro curso pensado para formar biotecnologistas data de 2003. Entretanto, bastou que o pioneiro fosse instituído para serem criados vários cursos de biotecnologia por todo o Brasil. Hoje, são mais de trinta instituições de inciativa pública e privada que oferecem graduações em: biotecnologia, tecnologia em biotecnologia, engenharia biotecnológica e engenharia de bioprocessos.

            Todos os cursos obtiveram ao menos uma permissão do Ministério da Educação para funcionarem. Portanto, está mais do que comprovado que não faz sentido em falarmos que este ou aquele profissional substitui completamente um profissional de biotecnologia, pois mesmo com todo o apelo político que é criado pelos que são contra a existência desses cursos, seria irracional fazer crescer algo que geraria um número avançado de desempregados no decorrer dos anos.

           É fato que, a maior parte do corpo discente dos cursos de biotecnologia sentiu-se marginalizado, em alguma(s) ocasião(ões) por alunos de cursos de áreas afins. Inclusive, ocorreu um fato bastante curioso na Revista das Profissões, publicada em 2011 pela Universidade Federal do Ceará. O acontecido foi que oito cursos diferentes falavam diretamente sobre biotecnologia para as saídas profissionais dos seus respectivos formados, sendo eles: agronomia, ciências biológicas, engenharia de alimentos, engenharia de pesca, engenharia química, farmácia, química e zootecnia. Seria uma calúnia a afirmação de que esses profissionais não atuam em alguma parte da biotecnologia no presente. E causa uma certa frustração quando vê-se uma dessas formações sendo citada exclusivamente para um cargo que um egresso do curso de biotecnologia teria total aptidão em desempenhar.

           Não cabe a mim ou a terceiros, nesse momento, julgarmos as possibilidades que outros profissionais, que se correlacionam com a biotecnologia, de atuarem em algum setor da mesma. Porém, diante de tudo que foi exposto, vemos que tudo é parte de um processo natural e já prevemos o que vem a seguir. Para tanto, é preciso uma maior participação de todos os discentes, egressos e docentes dos cursos que formam profissionais para trabalharem com biotecnologia.

           Para mim e para muitos colegas, é inquestionável a necessidade de um Conselho que represente apenas a nossa classe, pois se por um lado alguns dos conselhos de áreas afins desconstroem a legitimidade do profissional egresso dos nossos cursos, por outro tem aqueles que aceitam que o integremos, mas nos limitam a fazer apenas o que os profissionais, que já estavam naquele conselho, fazem em comum com um profissional de biotecnologia.

           Já existe uma Política Brasileira de Desenvolvimento da Biotecnologia e várias partes do Governo Federal se manifestaram em diversas ocasiões falando sobre a importância do setor biotecnológico para o País. Portanto, o que nos falta é um reconhecimento verdadeiro dos profissionais que estão sendo formados especialmente para trabalhar nesse setor.

           Deseja-se também uma maior confiança por parte dos alunos que estão cursando as graduações da área, pois o que se vê hoje em dia é que muitos indivíduos abandonam o curso por conta de todos esses entrelaces colocados nesse texto. No entanto, deveríamos pensar nisso como algo encorajador, pois, se diversas profissões estão se especializando para atuarem dentro da biotecnologia, há de existir grandes possibilidades nessa área.

Texto: Francisco Eder de Moura Lopes
Reprodução: LiNA
Share:

Facebook

Sobre