Gordura influencia decisões das células cerebrais para produção e sobrevivência


Os cientistas do Instituto Karolinska na Suécia identificaram duas moléculas que têm um papel importante na sobrevivência e na produção de células nervosas do cérebro, incluindo as células nervosas produtoras de dopamina. A descoberta, que é publicada na revista Nature Chemical Biology, pode ser significativa, a longo prazo para o tratamento de diversas doenças, tais como a doença de Parkinson.

Os mesmos cientistas mostraram previamente que os receptores conhecidos como "receptores hepáticos X" ou LXR, são necessários para a produção de diferentes tipos de células nervosas, ou neurônios, no desenvolvimento do mesencéfalo ventral. Uns destes tipos de neurônios produtores de dopamina do mesencéfalo desempenham um
papel importante em várias doenças, tais como a doença de Parkinson.

O que não era conhecido, no entanto, era que as moléculas estimulam os LXR no mesencéfalo, de tal modo que a produção de novas células nervosas possa ser iniciada. Os cientistas usaram espectrometria de massa e experiências sistemáticas em peixe-zebra e ratos para conseguir identificar as duas moléculas que se ligam aos LXR e o ativam.

Estas duas moléculas são denominadas ácido eólico e 24,25-CE (ácido biliar e um derivado do colesterol, respectivamente). A primeira molécula, o ácido eólico, influencia a produção e a sobrevivência de neurônios e é conhecida como o "núcleo vermelho", sendo importante para os sinais de entrada a partir de outras partes do cérebro. A outra molécula, 24,25-CE, influencia a produção de novas células nervosas produtoras de dopamina, que são importantes no controlo de movimento.

Uma importante conclusão do estudo é que os 24,25-EC podem ser utilizados para transformar células-tronco em neurónios produtores de dopamina no mesencéfalo, o tipo de células que morrem na doença de Parkinson. Esta descoberta abre a possibilidade de utilização de derivados de colesterol em medicina regenerativa no futuro, uma vez que as novas células produtoras de dopamina criadas em laboratório poderiam ser utilizadas para transplantes em pacientes com doença de Parkinson.

"Estamos familiarizados com a ideia do colesterol como um combustível para as células, e sabemos que é prejudicial para os humanos quando se consome muito colesterol", diz Ernest Arenas, Professor de Células-Tronco Neurobiologia do Departamento de Bioquímica Médica e Biofísica do Instituto Karolinska, que liderou o estudo. "O que nós mostramos agora é que o colesterol tem várias funções, e que está envolvido em decisões extremamente importantes para os neurônios.

Os derivados do colesterol controlam a produção de novos neurônios num cérebro em desenvolvimento.

Quando essa decisão é tomada, o colesterol ajuda na construção dessas novas células, e na sua sobrevivência. Assim, o colesterol é extremamente importante para o corpo, e em particular, para o desenvolvimento e função do cérebro ".

Fonte: ScienceDaily
Tradução/Adaptação: Inês Barreiros
Revisão: Emanuel Lima Oliveira
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