Quero ser Biotecnologista!

Quando crianças, somos indagados pelos adultos com uma pergunta clássica: O que você quer ser quando crescer? Poderíamos citar inúmeras carreiras, mas quem já ouviu “Quero ser Biotecnologista”? Absolutamente ninguém.


Reflitamos sobre o texto VERBO SER de Carlos Drummond de Andrade:
Que vai ser quando crescer? Vivem perguntando em redor. Que é ser? É ter um corpo, um jeito, um nome? Tenho os três.

E sou? Tenho de mudar quando crescer? Usar outro nome, corpo e jeito? Ou a gente só principia a ser quando cresce? É terrível, ser? Dói? É bom? É triste? Ser: pronunciado tão
depressa, e cabe tantas coisas? Repito: ser, ser, ser. Er. R. Que vou ser quando crescer? Sou obrigado a? Posso escolher? Não dá para entender. Não vou ser. Não quero ser. Vou crescer assim mesmo. Sem ser. Esquecer.

Fica clara a imposição de escolhas pela sociedade a nós, como indivíduos inseridos num contexto social.

Quando vamos fazer o vestibular ou outro concurso para entrar nas universidades, há sugestões de amigos, da família, da mídia, influência da carreira que está no auge ou a mais rentável.

Crescemos e quando adolescentes, a escolha da profissão está ocorrendo cada vez mais cedo.

Então, como escolher a área ou curso que quero? Muitos especialistas sugerem que o autoconhecimento é muito importante na escolha de uma profissão para evitar frustrações com o decorrer do exercício desta, e o amadurecimento é realmente necessário.

A própria etimologia da palavra “Trabalho”, de origem do latim Tripalium (que era um instrumento de tortura), já destaca que é um sacrifício. Por isso é importante gostar do que faz. Um pensamento de Confúcio, filósofo chinês, já muito tachado, mas que cabe aqui diz que “Quem faz o que gosta não trabalha nunca”.


É necessário, pois, o conhecimento da carreira profissional de escolha: do dia-a-dia, das competências, do ambiente de trabalho, vivência com profissionais da área, das matrizes curriculares dos cursos, entre outros. Fora que as escolhas também são mutáveis. Com tudo isso, quem quer trabalhar com Biotecnologia? Em boa parte do tempo o profissional terá que dedicar a um laboratório.

Porém, um dado alarmante da pesquisa Los estudiantes y la ciência de 2011 coordenada pelo argentino Carmelo Polino, revelou que apenas 2,7% dos estudantes secundaristas (de 15 a 19 anos) da América Latina e Espanha pensam em seguir uma carreira nas áreas de ciências exatas ou naturais.

A pesquisa também teve colaboração de uma equipe brasileira do Laboratório de Jornalismo da Unicamp (Labjor), no capítulo “Hábitos informativos sobre ciência e tecnologia”, coordenada pelo linguista Carlos Vogt.

Os pesquisadores destacaram que é alarmante, visto a intensa necessidade de cientistas e engenheiros pelas economias, só que há baixa procura dos jovens por essas profissões, já que muitos deles acham muito difíceis, chatas ou por acharem que os campos oferecem oportunidades limitadas de empregos. Sendo o profissional em Biotecnologia um multiprofissional, este tem que se ambientar nessas duas áreas já que estão presentes no cotidiano desse profissional.

Os cursos superiores de Biotecnologia no Brasil são relativamente novos. Não pensávamos ser biotecnologistas quando crianças. Então, será que os estudantes que cursam realmente queriam Biotecnologia como carreira profissional?

Um levantamento realizado pelo pólo da LiNA Biotec de Vitória da Conquista - Bahia, com 40 estudantes, ou aproximadamente 29% dos regularmente matriculados, do curso de Biotecnologia da Universidade Federal da Bahia, campus da cidade supracitada, revelou que 45% dos participantes, ao prestar o vestibular, realmente queriam Biotecnologia como carreira profissional, só que 70% deles não sabiam a aplicabilidade antes de iniciar a graduação.

Revela-se a necessidade de divulgação e reconhecimento dos cursos da área de Biotecnologia para alimentar uma cultura biotecnológica na sociedade em geral. A LiNA Biotec insere-se como um multiplicador dessa cultura e pelo reconhecimento dos cursos de Biotecnologias nas mais diversas modalidades no mercado de trabalho. A nível nacional a situação pode variar, já que o acesso à informação pelos estudantes antes de ingressar no curso é diferenciado seja pela localização (pequenos ou grandes centros) ou inerente ao meio de comunicação (revistas, jornais, televisão, internet, etc).

O surgimento de novos cientistas para o crescimento científico e tecnológico é vital para que o Brasil continue vivendo desenvolvimento nessas áreas, notadamente impulsionadas por programas governamentais como o Plano de Ação em Ciência e Inovação iniciado em 2007 e de lá pra cá mais incentivos de órgãos de fomento e fortalecimento do desenvolvimento nacional, dentre outros programas, como o recente Ciência sem Fronteiras.

Esses programas tem impulsionado a produção de papers no Brasil, que tem notória posição internacional.  Contudo não é o que ocorre no caso das patentes, onde o país fica atrás de países como China, Índia, Rússia e Coréia do Sul. Os órgãos de fomento têm intensificado esforços para aumentar a qualidade das publicações e aumentar o depósito de patentes.

Dos entrevistados, 65% pretendem atuar fora do estado e 75% pretendem atuar fora do país. Apesar disso, 92,5% pretendem concluir o curso e 32,5% querem seguir carreira baseada somente em pesquisa contra 62,5% que opinaram em mesclar entre as áreas de pesquisa e indústria.

Isso demonstra que é preciso incentivar a permanência dos profissionais no âmbito local, regional e nacional, já que os cursos são abertos em sua maioria com intuito de proporcionar o desenvolvimento nesses locais e a Biotecnologia é uma área importante nesse contexto.

Texto: Túlio César Rodrigues Leite e Mariana Teixeira Rebouças


Fonte: LiNA
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