Células resistentes ao HIV podem substituir coquetel


Cientistas da Universidade de Stanford, nos Estados Unidos, conseguiram desenvolver em laboratório, por meio de manipulação genética, células do sistema imunológico resistentes ao HIV. Eles conseguiram chegar a esse resultado após inserir genes que barram a ação do vírus nos linfócitos T, que são as células atacadas pelo HIV.

Segundo esses especialistas, caso a eficácia dessa terapia genética seja confirmada em testes clínicos no futuro, a abordagem pode vir a substituir o coquetel, que combina ao menos três antirretrovirais e hoje é a única opção de tratamento contra a aids. A pesquisa foi publicada nesta semana no periódico Molecular Therapy, do grupo Nature.

Mas o que realmente acendeu a esperança pelo sucesso de uma terapia genética contra o HIV foi o caso do paciente Timothy Ray Brown, americano diagnosticado com HIV em 1995. Enquanto se tratava da infecção, Brown - que vivia em Berlim - desenvolveu leucemia. Seu oncologista encontrou um doador de medula óssea que possuía uma mutação genética que naturalmente protege seu portador contra o vírus.
Depois que se encerrou o tratamento, ele teve a grata surpresa de ver que, além de ter conseguido curar a leucemia, o vírus não era mais detectado. Ele é considerado como o único caso de cura do HIV.

A partir desse evento, Brown ficou conhecido mundialmente como o "paciente de Berlim". Seu caso abriu as portas para a ideia antiga que se tinha de modificar a genética do paciente para tentar reproduzir os efeitos dessa mutação protetora.

O vírus entra nos linfócitos T utilizando como porta dois tipos de proteína que ficam na superfície da célula, conhecidas como CCR5 e CXCR4. Sem esses receptores, o vírus não é capaz de entrar. Os cientistas quebraram a sequência de ADN do receptor CCR5 e lá inseriram três genes conhecidos por conferirem resistência ao vírus da AIDS.

Depois desse verdadeiro trabalho de “corta e cola” genético, a entrada do vírus na célula é bloqueada, o que o impediria de destruir o sistema imunológico do paciente. Os cientistas observam que a terapia não teria a capacidade de curar a infecção, mas sim de reproduzir o efeito do tratamento com o cocktail, com mais eficácia e menos efeitos colaterais.

Fontes:  Estadão , Veja e R7

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