60 anos da descoberta da estrutura do DNA

“Queremos sugerir uma estrutura para o sal do ácido desoxirribonucleico. Essa estrutura tem novas características que despertam um considerável interesse biológico”.

Assim começa a publicação de James Watson e Francis Crick na revista Nature, em 1953, contendo apenas seis referências bibliográficas e não mais de duas páginas. O artigo foi publicado em Abril, mas foi no dia 7 de Março do mesmo ano que Watson e Crick identificaram a estrutura em dupla hélice do DNA.

Houve dois momentos essenciais para esta descoberta, vindos de outros cientistas. O primeiro empurrão foi dado pelos experimentos de Erwin Chargaff, que tinham mostrado que as quatro bases do DNA ocorrem sempre nos mesmos rácios – adenina (A) e timina (T), e citosina (C) e guanina (G). As palestras de Chargaff permitiram a Watson e Crick compreender que as bases do DNA aparecem emparelhadas, com A ligada a T e C ligada a G. Estava assim definida uma das peças fundamentais da dupla hélice.

A outra pista consistiu na conhecida “Foto 51” obtida por raios-X da molécula do DNA, por Rosalind Franklin. Maurice Wilkinks, que trabalhava com Franklin, mostrara essa imagem a Watson sem o conhecimento da investigadora (o que, naturalmente, gerou polémica).

Assim compreenderam Watson e Crick que juntando a combinação dos rácios de Chargaff e a imagem de raios-X de Franklin, obter-se-ia a potencial estrutura da molécula da vida. Os dois cientistas conseguiram passar do modelo conceitual à prática. Utilizaram meios tecnológicos pouco sofisticados, como modelos de papelão e peças metálicas, representando os componentes do DNA para testar as possíveis estruturas.

 A “Foto 51” indicava uma estrutura – a dupla hélice – em que todas as peças encaixavam na perfeição.
Poder-se-á dizer que Watson e Crick tiveram alguma sorte. Tiveram. Poder-se-á referir que foram oportunistas. Foram. Mas, acima de tudo, foram persistentes e souberam aproveitar a genialidade – que obviamente também tiveram – em conjuntura com os dados que conseguiram recolher: fatores essenciais para o sucesso em ciência e investigação.
 
James Watson, Francis Crick e Maurice Wilkins foram laureados pelo Prémio Nobel da Medicina nove anos depois, em 1962 (apesar do papel de Rosalind Franklin ter gerado enorme controvérsia, esta morrera de câncer no ovário em 1958 e o Prémio Nobel não é atribuído a título póstumo).

A descoberta da estrutura do DNA foi uma das mais notáveis descobertas do século XX, abrindo assim portas a uma nova era da genética. Parafraseando Barry Scheck e Peter Neufeld: O DNA não é uma lição de bioquímica, nem é uma exibição das maravilhas reveladas por uma lente, mas sim um modo de ver as coisas como elas realmente são.

Texto: Pedro Lino
Source: Nature e 50ideiasGenetica
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