Células-Tronco: Perspectivas x Tratamentos

São diversas as terminologias que se empregam para descrever os vários tipos de células-tronco. 

De forma geral, são células com capacidade auto-replicativa, ou seja, com capacidade de gerar uma cópia idêntica de si mesma, e ainda, apresentar potencial de se diferenciar em vários tecidos.


Inclusive, depende da parte do corpo de onde essas células procedem e de sua etapa de desenvolvimento. As células-tronco são capazes de reparar o mesmo tecido do qual provem.


No Brasil é permitida a utilização de células-tronco produzidas a partir de embriões humanos para fins de pesquisa e terapia, desde que sejam embriões inviáveis ou estejam congelados por mais de três anos (conforme determina o art. 5º da Lei Federal Brasileira nº 11.105 de 24 de março de 2005). Em todos os casos, é necessário o consentimento dos pais.

A comercialização do material biológico é crime. Em 29 de maio de 2008 o Supremo Tribunal Federal confirmou que a lei em questão é constitucional, ratificando assim o posicionamento normativo dessa nação. 

É possível que você já tenha ouvido falar dos seguintes tipos celulares:Células-tronco adultas ou células-tronco específicas do tecidoMuitos tecidos adultos apresentam células-tronco que podem substituir células que morrem ou reparam um dano ao tecido. A pele, o músculo, o intestino e a medula óssea, por exemplo, contém sua própria célula-tronco. Na medula óssea, são produzidas diariamente milhares de células sanguíneas, que provem de células-tronco que originam o sangue. Ainda não está claro se todos os órgãos, como o coração, possuem células-tronco. 

A produção de células-tronco é frequentemente empregada de maneira muito ampla e pode incluir células-tronco fetais e do cordão umbilical:Células-troco fetaisA maioria dos tecidos do feto contém células-tronco que impulsionam o rápido crescimento e desenvolvimento dos órgãos. Da mesma forma que as células-tronco adultas, as células-tronco fetais são, em geral, específicas do tecido e geram os tipos de células maduras que se encontram no tecido ou em um determinando órgão.


Células-tronco do cordão umbilicalNo momento do nascimento, o sangue presente no cordão umbilical apresenta grande quantidade de células-tronco. As aplicações dessas células do cordão umbilical são similares as da medula óssea do adulto e atualmente, são utilizadas para tratar doenças relacionadas ao sistema sanguíneo ou restabelecimento do mesmo contra um determinado tipo de câncer. Assim como as células-tronco presentes na medula óssea do adulto, as células-tronco do cordão umbilical são específicas do tecido.


Células-tronco embrionáriasAs células-tronco embrionárias provem de embriões muito precoces e podem, em teoria, dar origem a todas as classes de células-tronco do corpo. No entanto, conseguir que estas células sejam convertidas em um tipo determinado de célula em laboratório não é algo trivial. Assim mesmo, as células-tronco embrionárias trazem consigo um risco de conversão em tecido carcinogênico depois de um transplante. Para poder ser empregada em transplante, as células necessitam ser estimuladas em um tipo celular mais maduro, tanto para alcançar um tratamento efetivo, como para minimizar o risco de desenvolvimento de câncer.

 
Sem dúvida, essas células estão ajudando a compreender melhor as enfermidades e são muito promissoras para tratamentos futuros, na atualidade, não existem tratamentos com células-tronco embrionárias que sejam aceitos pela comunidade científica. No entanto, existem diversas pesquisas em andamento, como a retirada de células-tronco da medula óssea do paciente que apresenta diabetes tipo 1, sendo que em seguida o mesmo é submetido a sessões de quimioterapia para “desprogramar” o sistema imunológico e após as células são reintroduzidas e o pâncreas volta a produzir insulina.Células-tronco Pluripotentes Induzidas (iPS). 

Em 2006, um grupo de cientistas descobriu como “reprogramar”, em laboratório, células que possuem uma função especializada, por exemplo, células da pele, de maneira que se comportassem como uma célula-tronco embrionária. Estas células, denominadas de células pluripotentes induzidas ou células iPS, são criadas para induzir células especializadas a expressar genes que, normalmente, se originam de células-tronco embrionárias e que controlam o funcionamento da célula. As células-tronco embrionárias e as células iPS tem muitas características em comum, como a capacidade de se converter em células de quase todos os órgãos e tecidos, excluindo a placenta e anexos embrionários, no entanto, não são idênticas e em alguns casos podem ter um comportamento ligeiramente distinto.

As células iPS constituem um método potente para criar linhagens celulares específicas do paciente e da doença que o acomete. Não obstante, as técnicas utilizadas para criá-las devem ser aperfeiçoadas cuidadosamente antes de serem empregadas no desenvolvimento de células iPS que sejam adequadas para tratamentos seguros e efetivos.

Texto: Relber Aguiar Gonçales
Sources: ISSCR e WKP 
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