Composto isolado de algas apresenta elevado potencial para tratamento de leishmaniose


A leishmaniose é uma doença causada por um protozoário do gênero Leishmania e é transmitida por meio da picada dos mosquitos dos gêneros Lutzomyia e Phlebotomus, em humanos e outros mamíferos como os cães. Atinge milhões de pessoas em todo o mundo e, atualmente, são descritas quatro formas de manifestação da doença:

* A forma cutânea, onde aparecem úlceras na pele normalmente em regiões mais expostas como a face, os braços e as pernas, essas feridas geralmente desaparecem em alguns meses, deixando grandes cicatrizes.

* Leishmaniose cutânea difusa, nesse caso as feridas se difundem e causam lesões crônicas mais graves, assemelhando-se as causadas pela lepra. É mais difícil de ser tratada.

* Forma muco-cutânea, as lesões podem destruir parcialmente ou totalmente as membranas da mucosa do nariz, boca e garganta, assim como dos tecidos circundantes.

* Leishmaniose visceral, também conhecida como kala-azar, é a forma mais severa da doença causando febre alta, perda substancial de peso, inchaço do baço e do fígado e anemia, podendo ter uma taxa de mortalidade de 100%, no prazo de 2 anos. Segundo a OMS, essa forma de manifestação da leishmaniose está entre as doenças parasitárias mais graves, perdendo somente para a malária em número de vítimas fatais.

Um dos grandes problemas apresentado pela leishmaniose é relativamente aos tratamentos existentes atualmente, pois os medicamentos utilizados promovem severos efeitos colaterais para além do fato de gerarem estirpes resistentes.

Porém estudos indicam que esses problemas podem ser contornados com a utilização de um composto isolado da macroalga Dictyota pfaffii, o Dolabelladienetriol, um diterpeno de dolabelleno.

Um grupo de cientistas brasileiros de diferentes instituições (IMPG/UFRJ, IBCCF/UFRJ, UFF e IOC/FIOCRUZ, RJ ) demonstrou que tal composto apresenta um alto potencial para o tratamento dessa doença sem apresentar toxicidade para as células dos hospedeiros.

No estudo realizado o composto foi capaz de inibir o crescimento do protozoário Leishmania amazonensis e reduzir o seu número nas células macrofágicas. O diterpeno atua não só inibindo o crescimento da forma infecciosa do protista, os promastigotes, como também apresenta atividade contra os amastigotes intramacrofágicos, a forma do protozoário que mantém a doença nas células hospedeiras dos mamíferos.

A pesquisa demonstrou também que o dolabelladienetriol inibe o vírus da imunodeficiência humana do tipo 1 (HIV-1) em macrófagos quando em co-infecção com o Leishmania , nesse tipo de infecção o vírus amplifica a multiplicação do protozoário e severidade da doença, e o protista aumenta a replicação viral. Em alguns países como França e Espanha a leishmaniose

aparece em quarto lugar entre as doenças oportunistas mais graves para esse tipo de HIV, fato que tem preocupado bastantes as autoridades de saúde locais e mundiais.

Esses resultados indicam que futuramente poderão surgir no mercado medicamentos mais eficazes e com menos efeitos colaterais para o tratamento dessa parasitose, não só em casos da infecção isolada como também em co-infecção com o vírus da imunodeficiência humana do tipo 1 (HIV-1).

Texto: Francisco Morgado
Source: Soares, D.C.; Calegari-Silva, T.C.; Lopes, U.G.; Teixeira V.L.; Paixão, I.C.N.P.; Cime-Santos, C.; Bou-Habib, D.C.; Saraiva, E.M.; (2012). Dolabelladienetriol, a Compound from Dictyota pfaffii Algae, Inhibits the infection by Leishmania amanzonensis. PLoS Negl. Trop. Dis.; 6(9): e1787
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