Produção de anticorpos no Brasil com potencial uso no tratamento do câncer


O Instituto Butantan, vinculado à Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo, é um dos maiores centros de pesquisa biomédica do mundo, responsável por mais de 93% do total de soros e vacinas produzidas no Brasil.

Na área de oncologia, uma nova geração de medicamentos está baseada na capacidade dos anticorpos monoclonais (mAbs) em reconhecer antígenos específicos de tumores e induzir uma resposta imune contra as células cancerosas. Além disso, os mAbs podem ser modificados de forma a atuarem como portadores de radioisótopos ou toxinas às células cancerosas, ampliando seu espectro de aplicação terapêutica.

Há cerca de 20 anos o Instituto Butantan desenvolve estudos para a produção de anticorpos monoclonais. Esses são classificados como uma nova classe de medicamentos no tratamento de cânceres, que, por terem um alvo molecular específico na célula cancerígena, têm como vantagem serem menos tóxicos para as células normais. Os anticorpos monoclonais podem ser utilizados sozinhos ou em conjunto com as quimioterapias.

Em 2012, a produção atingiu o mais alto grau de especialização quando foi finalizada uma linhagem celular de alta produtividade e estabilidade que é candidata a combater vários tipos de câncer. “No mundo já existem 30 medicamentos com anticorpos monoclonais aprovados para uso comercial. Desses, 13 são para cânceres e os restantes estão relacionados principalmente a doenças autoimunes e à rejeição em transplantes”, diz Ana Maria Moro, professora que lidera a equipe de pesquisa.

O projeto, de parceria com a empresa paulistana Recepta, que recebeu financiamento da FAPESP e da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), produziu o material biotecnológico com características escalonáveis pronto para entrar em uma linha de produção.

Segundo a empresa Recepta “O objetivo de médio prazo da parceria com o Instituto Butantan é também desenvolver a produção de anticorpos humanizados com qualidade GMP em escala piloto para a realização de testes clínicos de Fase I e II. O acordo com o instituto visa não apenas a geração de linhagens celulares de interesse da Recepta, mas também a formação de recursos humanos altamente qualificados com domínio de tecnologia de relevância estratégica para o país. O instituto paulista ganhará ao se capacitar para a produção de anticorpos monoclonais humanizados, hoje com uma demanda crescente no mercado internacional”.

A empresa enviou o material para uma empresa na Holanda onde está sendo produzido o anticorpo que poderá se tornar um medicamento no futuro. Esse produto na forma de ampola será usado em testes clínicos que começam neste ano.

Texto: Barbara Paes
Source: FAPESP e Recepta

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