Quais são as minhas origens?


Certamente todos nós já questionamos “Quais foram os meus antepassados?”, ou “Será que tenho características genéticas de outras etnias ou de outros países?”.

Atualmente é possível qualquer pessoa saber alguma coisa dos seus antecedentes através dos testes de DNA. Existem muitas empresas com vários testes à venda no mercado, diversos serviços e, também, diversos preços.

Como é possível obter informação sobre os nossos antepassados?

O material genético que tem ajudado diversos estudos neste campo são o cromossomo Y e o DNA mitocondrial (mtDNA), uma vez que são os únicos exemplos de transmissão uniparental. Apenas as mães transmitem o mtDNA aos seus filhos, independemente do sexo destes. O cromossomo Y só existe nos homens e, naturalmente, apenas é transmitido por via paterna.
Vamos agora supor que escolhemos duas pessoas ao acaso (pode ser o leitor e o seu melhor amigo, por exemplo); se recuarmos no tempo, vamos constatar que essas duas pessoas estão ligadas através das mães das mães das suas mães a um ancestral comum. Isto porque o mtDNA possui uma taxa de mutação muito baixa, e aí não teve tempo suficiente de se modificar através de mutações.

Se recuarmos ainda mais, até à origem do Homem Moderno, então aí sabemos onde todos nós tivemos origem: é hoje unanimemente aceito que somos todos africanos. Isto é, todos os dados genéticos apontam para a hipótese “Out of Africa”, que assume um evento único para a origem do Homo sapiens no continente africano há cerca de 200 mil anos, tendo-se espalhado a partir daí há cerca de 50 mil anos.

Como não podia deixar de ser, a genética genealógica tornou-se um potencial negócio. Existem diversas empresas que testam o nosso DNA e nos dizem alguma informação sobre os nossos antepassados, como é o caso da Oxford Ancestors ou a Family Tree DNA. Também a National Geografic possui um projeto nesse sentido, intitulado The Genographic Project, uma iniciativa que pretende analisar padrões históricos de DNA a partir de participantes de todos os cantos do mundo, onde toda a gente pode participar (mediante um pagamento).

Acontece que os preços de muitos destes testes têm gerado alguma polêmica e já foram alvo de algumas críticas por parte da comunidade científica, pois podemos obter resultados pouco conclusivos após termos pago uma boa quantia pelos mesmos. Os resultados não nos dizem se a nossa bisavó veio de Itália ou se a família do tetravô viveu na Roménia. Por vezes os testes apenas mostram que temos pelo menos um milhão de antepassados diretos.

Também acontece que os humanos, por si só, já são bastante parecidos geneticamente, pelo que duas pessoas aleatórias podem corresponder em pequenos segmentos de DNA sem realmente terem partilhado um ancestral comum recente. É importante perceber que a genealogia genética é um complemento à genealogia tradicional, e não uma substituição.

Mas eis o que sabemos, e é tao simples como isto: no fundo, somos todos africanos.

Texto: Pedro Lino
Sources: Cell , FamilyTreeDNA , Oxford , NCBI
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