HeLa e a Bioética


Uma das linhas celulares mais conhecidas a nível mundial é designada por “HeLa”, e deve o seu nome e existência a Henrietta Lacks (1920 – 1951), uma mulher negra descendente de escravos e bastante pobre, a quem foi diagnosticado um cancro do colo do útero. Naquela altura foi retirado um conjunto de células do seu tumor para experiências científicas, sem o conhecimento de Henrietta nem o consentimento da família.

Henrietta faleceu aos 31 anos, mas os resultados dos vários experimentos com as suas células foram e continuam a ser de extrema utilidade para o avanço científico, incluindo a clonagem, os efeitos de radiação e a vacina contra a poliomielite.

Recentemente, cientistas anunciaram que o genoma completo das células “HeLa” tinha sido sequenciado e os resultados foram publicados online. Descobriu-se que várias regiões dos cromossomas estão arranjadas de forma errada, assim como a escassez de certos genes e o excesso de cópias de outros. O objectivo do trabalho foi avaliar o grau em que o genoma das células “HeLa” diverge das células saudáveis.

As células tiradas da biopsia continuaram a proliferar em laboratório e sofreram mutações, mas ainda contêm genes de Henrietta, pelo que tem levantado questões de ética e violação dos direitos de privacidade.

No entanto, a publicação online do genoma de uma pessoa para fins científicos é legal. A família Lacks ficou inicialmente chocada e queria que o genoma fosse retirado do domínio público, apesar de também se terem interessado em saber como a informação do genoma pode ajudar a sociedade.

Apesar da comunidade científica ter reconhecido a preocupação da família Lacks, o assunto está longe de ter terminado, e questões no âmbito da deontologia e da bioética continuam a ser debatidas.

Texto: Pedro Lino
Source: NewScientist , NPR e GenomesUnzipped
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