A arquitetura das flores

Emílio Mersch escreveu a frase “as flores artificiais se fabricam num dia, mas são estéreis”. Esse escritor usou essa frase para dizer algo profundo aos leitores, porém, quando se trata de biotecnologia, o contexto dela ganha um sentido muito diferente, pois, quem disse que flores fabricadas em pouco tempo são estéreis?

Os avanços da ciência oferecem inúmeras variedades de flores com diferentes cores, número de pétalas, perfume e uma grande resistência a doenças. Trata-se da biotecnologia ornamental que usando o conhecimento da biologia floral ajuda a produzir flores rapidamente e com vantagens. Primeiramente é preciso se conhecer aspectos da morfologia floral, como número de sépalas, pétalas, estames, gineceu, carpelos e posição do ovário. A flor de arabidópsis (Arabidopsis thaliana), por exemplo, é um modelo muito usado para pesquisas relacionadas na “construção” de flores.

O desenvolvimento das flores através de modificações genéticas requer um melhoramento genético que envolve produtos de genes, influenciados por temperatura, luz, nutrientes, etc.

Recentemente, cientistas têm sido movidos a fazerem pesquisas relacionadas à formação das pétalas florais, número destas, cor, aroma e forma, a fim de obter a capacidade de modelar uma arquitetura nas flores de maneira artificial. Algumas das vantagens já alcançadas na engenharia genética são: genes do desenvolvimento das pétalas, assim como a quantidade destas, cor das flores que vai de acordo com pigmentos como flavonóides que incluem as antocianinas, como pelargonina (laranja), cianidina (vermelho) e delfinidina (azul), além de carotenóides e betalaínas.

Também é possível silenciar um gene que expressa determinada cor, ou atrasar a murcha de flores de corte na pós-colheita através da inserção de uma versão anti-sentido de um gene que codifica determinada enzima.

Outras técnicas da biotecnologia também são empregadas para produzir efeitos como o aumento do número de folhas ou o encurtamento dos entrenós, o que deixa a flor mais harmoniosa nas cores. Segue uma gama de técnicas utilizadas na floricultura: cultura de tecidos para fins de micropropagação, flores hibridas através do melhoramento, técnicas de marcadores moleculares, a fim de identificar genótipos e origem de espécies ornamentais.

A idéia de se “montar” flores por meio da genética molecular é fascinante e vem ganhando espaço cada vez mais na indústria da floricultura, estimulando a biotecnologia a desenvolver a “arquitetura” das flores.

Texto: Ana Patrícia Sousa Lopes de Pádua
Source: ArgenBio
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