Antibióticos combinados podem ser opção contra infecções

Na Faculdade de Ciências Farmacêuticas (FCF) da USP, experimentos realizados com camundongos mostram que é possível se combinar diferentes antibióticos para se obter resultados mais positivos no tratamento de infecções hospitalares provocadas por alguns tipos de bactérias. Os estudos ainda estão no início, mas representam uma alternativa ao uso solitário de medicamentos para combater esse tipo de infecção.

A ideia surgiu depois que a biomédica Micheli Medeiros observou que faltam medicamentos eficazes contra alguns tipos de bactérias. “Existem algumas variedades de bactérias que são multirresistentes, que possuem resistência a mais de um antibiótico”, conta. “Um dos motivos para o surgimento dessas “superbactérias” é proveniente do uso excessivo e indiscriminado desses medicamentos”, afirma a pesquisadora.


Micheli estudou o tema na pesquisa de mestrado com o título “Avaliação in vitro e in vivo de efeitos sinérgicos de antibacterianos para o tratamento de infecções porAcinetobacter baumannii multirresistentes produtoras de carbapenemases tipo OXA endêmicas no Brasil”, sob orientação do professor  Nilton Erbet Lincopan Huenuman.

De início, realizou uma série de testes e combinações em laboratório visando o tratamento contra um tipo da bactéria chamada Acinetobacter baumannii, muito comum no meio hospitalar e que apresenta alto índice de resistência a medicamentos.“A ideia seria, se um antibiótico sozinho não está agindo de forma eficaz para determinada bactéria resistente, então utilizar uma combinação de dois antibióticos poderia ser uma solução para estes casos”.

Foram desenvolvidas em laboratório, na fase de triagem, 30 combinações diferentes de antibióticos. Destas, 14 tiveram resultados mais satisfatórios e que demonstraram potencial de eficácia. A pesquisadora selecionou uma dessas combinações para a fase de testes em camundongos.

Na segunda fase, os camundongos-cobaias foram divididos em cinco grupos.

Quatro grupos no qual todos foram infectados com a bactéria Acinetobacter baumannii multirreristente e mais um quinto grupo, controle, sem infecção.

O primeiro grupo foi tratado com injeção de salina. O segundo foi tratado com apenas um tipo de antibiótico da combinação selecionada previamente, a polimixina B, numa concentração tida como satisfatória. O terceiro grupo recebeu doses do outro antibiótico selecionado, o imipenem. O quarto grupo foi submetido ao tratamento da combinação de ambos os antibióticos e o quinto e último grupo não recebeu qualquer tipo de medicação, pois não foi infectado. “Fizemos um tratamento durante três dias, administrando os antibióticos a cada 12 horas”, completa Micheli.

Os resultados do tratamento mostraram que, separadamente, os antibióticos não apresentavam uma ação eficaz contra a bactéria. Já na utilização conjunta, as drogas atuavam de forma satisfatória e se mostraram potencialmente eficazes.

Micheli acredita que o projeto tem potencial para evoluir para a fase de testes em humanos, e que os próximos passos dependem de uma série de investimentos e de aprovações médicas para uso clínico. Segundo ela, o uso combinado de antibióticos “possui vários benefícios para o paciente, diminuindo, por exemplo, a concentração de medicamentos utilizados durante o tratamento”.

A pesquisadora ressalta ainda que, em alguns tratamentos, há uma utilização de uma concentração muito elevada de antibióticos, que são tóxicas para o organismo dos pacientes. “Isso acaba causando outros problemas de saúde, que pode variar desde complicações nos rins até o comprometimento do aparelho auditivo.

Nesse sentido, o projeto atua como uma alternativa terapêutica para o tratamento de pacientes hospitalizados com infecção causadas por estas bactérias multirresistentes, e também contribuindo para o controle das infecções dentro do hospital”, completa.

Reprodução: Agência USP
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