Cafeina é prejudicial durante a gravidez

O consumo de cafeína durante a gravidez é prejudicial para o cérebro do bebé em desenvolvimento, conclui um estudo internacional que envolveu uma equipa de investigadores da Universidade de Coimbra (UC), Portugal, através do Centro de Neurociências e Biologia Celular (CNC) e as Faculdades de Medicina (FMUC) e de Ciência e Tecnologia (FCTUC).

A pesquisa resulta de uma parceria com o Institut National de la Santé et de la Recherche Médicale - INSERM, da Université Aix Marseille, e acaba de ser publicado na prestigiosa revista Science Translational Medicine, do grupo Science (http://stm.sciencemag.org/ / content/5/197/197ra104) tendo envolvido também cientistas da Alemanha e da Croácia.


A cafeína é a substância psicoativa mais consumida no mundo, incluindo durante a gravidez. Assim, a equipa avaliou o seu impacto durante o período de gestação e descreveu pela primeira vez os efeitos nocivos do consumo de cafeína (em ratos fêmeas) durante a gravidez, para o cérebro da descendência. Este estudo, embora realizado em roedores, sugere que devem ser realizados estudos cuidadosos para avaliar os efeitos do consumo de cafeína por mulheres grávidas.

Para avaliar os efeitos da cafeína, os investigadores reproduziram em ratos o consumo regular de café em doses equivalentes a beber três chávenas de café por dia durante a gravidez e até o desmame dos filhotes.

Os ratos jovens "mostraram maior suscetibilidade de desenvolver epilepsia, e quando atingiram a idade adulta, foram detetados problemas de memória espacial", explica Rodrigo Cunha, coordenador da equipe portuguesa.

Durante o desenvolvimento, "a cafeína altera a migração e inserção de neurónios que libertam GABA - o principal mediador químico inibidor no cérebro". "Estes neurónios formam-se numa região particular e depois migram para, entre outros lugares, o hipocampo, uma região do cérebro que desempenha um papel fundamental na formação da memória", descreve Rodrigo Cunha, citado na mesma nota de imprensa".
Constatou-se "que a cafeína influencia diretamente a migração destes neurónios, por bloquear a ação de um recetor específico, chamado A2A, diminuindo a velocidade de migração dos neurónios. Assim, as células vão chegar ao seu destino mais tarde do que o previsto. Esta migração tardia afeta a construção do cérebro com efeitos observados após o nascimento (alterações da excitabilidade celular e aumento da suscetibilidade a episódios convulsivos) e, durante a vida adulta, perda de neurónios e défices de memória".

Para o investigador, este estudo "é a primeira demonstração dos efeitos nocivos da exposição à cafeína sobre o cérebro em desenvolvimento e, embora questione o consumo de cafeína por mulheres grávidas, é necessário realçar o cuidado em extrapolar os resultados obtidos em modelos animais para a população humana, sem ter em consideração as diferenças no desenvolvimento do cérebro e da maturação entre as espécies".

Tradução/adaptação: Inês Barreiros
Revisão: Emanuel Oliveira
Source:  NBH e SIC
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