Descoberta enzima que pode gerar biocombustíveis mais baratos

“Toda a vez que você encontrar um novo gene, você não só compreende melhor as vias bioquímicas nas quais o gene está envolvido, você também descobre novas maneiras de perturbar essas vias”. Assim o diz John Ralph, professor na Universidade de Wisconsin-Madisone e líder de investigação em Great Lakes Bioenergy Research Center (GLBRC).

Cientistas e colaboradores de várias instituições (incluindo a GLBRC), descobriram uma enzima vegetal que pode oferecer um avanço na produção de biocombustíveis concebidos a partir da celulose proveniente de resíduos agro-industriais.


De nome “Caffeoyl shikimate esterase” (CSE), esta enzima controla a formação da lenhina: uma molécula que é responsável pela rigidez das plantas e que dificulta a extracção de açúcares das mesmas, a fim de se obter a fonte de carbono utilizada na obtenção de biocombustível.

Os investigadores conseguiram desligar o gene que codifica esta proteína, sendo assim possível criar uma planta em que a produção de lenhina diminuiu 36%. “Isto é suficiente para aumentar a produção de açúcares até 4 vezes”, afirma o investigador Wout Boerjan. A planta utilizada neste estudo é a Arabidopsis thaliana, e tem sido usada há anos em investigação científica como organismo-modelo (foi a primeira planta a ter o genoma completamente sequenciado).

Resumindo: menos lenhina, maior eficiência de extracção de açúcares, combustíveis mais baratos. “Estas e outras descobertas estão oferecendo aos investigadores de bioenergia novas abordagens com um potencial significativo para melhorar o processamento de biocombustíveis” remata John Ralph.

Este não é só um gratificante exemplo que une a Genética e a Biotecnologia Industrial, como também mostra mais um importante passo na era das Energias Renováveis.

Texto: Pedro Lino
Source: ScientificAmerican, ScienceMag e GLBRC
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