Frango brasileiro não contém adição de hormônios

Atualmente, é comum ouvir por parte de leigos, celebridades, médicos e pessoas de influência que a carne de frango possui hormônios que podem causar efeitos indesejáveis aos seres humanos como, por exemplo, a antecipação da menstruação em adolescentes.

O que pouca gente sabe, é que, na verdade, assim como qualquer outro ser vivo, o frango possui hormônios porque produz, naturalmente, essas substâncias, que são responsáveis por diversas funções em seu corpo como, por exemplo, crescimento e reprodução. No entanto, o emprego de hormônios de modo exógeno na criação de frangos está banido desde 1976 com a promulgação do Decreto nº 76.986 que em seu artigo 6º cita:


“É proibida a adição de hormônios em alimentos para animais, de conformidade com a legislação em vigor”.

No supermercado uma vez ou outra nos deparamos com a seguinte frase nas embalagens de alguns frangos congelados “Não contém hormônio”. Muitas vezes pagamos mais caro só para ter a certeza de que não estamos levando para casa algum produto nocivo à saúde.
Na verdade, as informações espalhadas por alguns produtores e até pela mídia nem sempre são tão claras e podem contribuir para um alarme desnecessário. Pelo menos é o que dizem os especialistas do setor.

De acordo com Sulivan Pereira Alves, Coordenadora técnica da  Associação Brasileira dos Produtores e Exportadores de Frangos, estas empresas muitas vezes tiram proveito da falta de conhecimento dos consumidores. “Nenhum frango,  convencional ou orgânico, recebe hormônios em sua criação e a ABEF não concorda com esse tipo de anúncio.”

Carne de frango não possui hormônios e, entre  outras razões está a inviabilidade. Segundo dados da própria ABEF somente no ano passado foram produzidos no país cerca de 5,2 bilhões de frangos e os hormônios para produzir o efeito de crescimento deveria ser administrado diariamente. Logo, a prática seria dispendiosa e não promoveria o resultado desejado.

De acordo com matéria publicada na  revista Terra Brasil  de nº 3 e com a Assessoria de Imprensa do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento – MAPA, quem também desmistifica a aplicação de hormônios exógenos em frangos é o veterinário Leandro Feijó, da Secretaria de Defesa Agropecuária, do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (SDA/Mapa). “O tempo de vida do animal até o abate inviabiliza qualquer tentativa de utilização de hormônios nesta espécie, assim como  o tempo suficiente para a sua atuação no organismo”, defende.

Mais um motivo de dúvidas entre os consumidores é a utilização de antibióticos que, normalmente incorporados às rações dos animais, poderiam com o tempo provocar a resistência no corpo humano a determinados medicamentos. Mas, estas afirmações também seriam exageradas pois, embora a utilização de antibióticos para melhora de desempenho ou com objetivo terapêutico  sejam permitidos, existem regras rígidas a serem seguidas pelo o setor. Além da forte fiscalização realizada pelo MAPA.

Sulivan afirma que o Brasil segue fielmente as normas do Codex Alimentarius – órgão criado pela FAO (Organização das Nações Unidas para a Agricultura e alimentação) e pela Organização Mundial de Saúde para desenvolver normas alimentares -  orientações e textos relacionados, tais como códigos de boas práticas. E, no que diz respeito à utilização de substâncias na produção, determina o Limite Máximo de Resíduos que podem estar presentes em 1Kg de alimento  a fim de que não produzam efeito tóxico.
Segundo o diretor Técnico da UBABEF, Ariel Antônio Mendes, a eficiência da produção de frangos é baseada em três fatores: genética de ponta, ração balanceada e excelentes condições de criação.

“A seleção natural de características geneticamente favoráveis nas aves, a ração brasileira à base de milho e soja e a alta tecnologia empregada para a as condições ambientais dos galpões de criação é que, de fato, fazem a produção de carne de frango um processo rápido”, destaca.

Infelizmente, conforme o diretor de Mercados da UBABEF, Ricardo Santin, ainda perdura na população o “mito dos hormônios”.


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