Efeito da alfa-estimulação em pacientes com Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC)

Estudo guiado para avaliar o efeito da alfa-estimulação magnética transcraniana em pacientes diagnosticados com Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC)
Devido à vida agitada ao longo dos últimos anos, a demanda de pessoas com insônia, estresse e ansiedade têm crescido de forma exacerbada.
A ansiedade começou a ser evidenciada a partir no início do Século XX, Sigmund Freud já diferenciava transtorno de ansiedade generalizada em transtorno de pânico e observou a relação dos ataques de ansiedade com a agorafobia (Graeff e Guimarães, 2012). 

O TOC é caracterizado por pensamentos obsessivos, que levam a ansiedade e desconforto acentuados de pensamentos recorrentes e compulsões que conduzem a atitudes estereotipadas ou rituais que são utilizadas para minimizar a ansiedade (Filho et al., 2013). De acordo com Del Porto (2001) o TOC é o quarto transtorno psiquiátrico mais comum. Conforme os dados da OMS, esta enfermidade está entre as dez de maior impacto em relação à incapacitação social que ao contrário dos demais tipos de ansiedade afetam igualmente a população masculina e feminina. O tratamento é realizado com terapia comportamental cognitiva e com os inibidores da recaptação da serotonina, sendo esse medicamento de primeira escolha (Montovani et al., 2010).

Após vários estudos descobriu-se que 60 % dos pacientes diagnosticados com TOC não estavam respondendo ao tratamento com essa classe de medicação. Em vista do exposto, os pesquisadores investigaram um tratamento com estimulação magnética transcraniana, sendo este método inovador.

Jin e colaboradores (1995) propuseram o alfa-eletroencefalograma dirigido para alfa-estimulação magnética transcraniana (αTMS) no tratamento de esquizofrenia, o qual instigou Xiaoyan et al., (2014) no tratamento para TOC. Assim, com auxílio do eletroencefalograma (EEG) foi gravado à linha de base de cada paciente, para determinar a banda alfa que o TMS precisa atuar. A leitura no EEG foi realizada na freqüência 0,5 a 35 Hz, e verificou-se com auxílio de um profissional treinado e capacitado que a banda alfa encontrava-se entre 8-12 Hz. Após determinar a banda alfa, foi definida a freqüência e a intensidade que a αTMS vai atuar na área pesquisada dorsolateral do córtex pré-frontal. 

Em suma, o estudo foi realizado no Instituto de Saúde Mental da Universidade de Peking e no hospital Beijing Hui Long Guan na China e foi aprovado pelo comitê de Ética da Universidade.

Dos 46 pacientes que participaram da pesquisa, 23 foram tratados por duas semanas consecutivas em cinco sessões de 20 minutos, 4 segundos de estimulação e 56 segundos de descanso. Os demais receberam uma simulação de estímulo.

Os resultados demonstraram que αTMS tem efeito clínico sobre os sintomas de obsessão, mas não sobre os de compulsão. Assim sendo, se fazem necessários mais estudos a fim de justificar tais resultados. Em conclusão, o impacto da estimulação magnética transcraniana em parâmetros na plasticidade do transtorno obsessivo compulsivo pode ser um excelente foco de estudo, para que, de fato, se possa entender o seu efeito a curto e ao longo prazo, bem como a interação com os tratamentos farmacológicos na prática clínica real.

Fonte:
DEL-PORTO, J.A. Epidemiologia e aspectos transculturais do transtorno obsessivo compulsivo. Revista Brasileira de Psiquiatria, São Paulo, v. 23, p. 3-5, 2001.
FILHO, V.A.M; ABREU, P.B.D; PEDRINI, M; CACHOEIRA, C.T; LOBATO, M.I.R. rTMS as an add-on treatment for resistant obsessive-compulsive symptoms in patients with schizophrenia: report of three cases. Revista Brasileira de Psiquiatria, São Paulo, v. 35, n. 2, 2013.
GRAEF, F.G (2012). medicamentos antisiedade. In: GUIMARAES, F.S. Fundamentos de Psicofarmacologia. Atheneu, 2012. Cap. 13, p. 165-204.
JIN, Y; POTKIN, SG; SANDMAN, C. Clozapine increases EEG photic driving in clinical responders. Schizophr Bull, v. 21, p. 263-268, 1995.
MONTOVANI, A; SIMPSON, H.B; FALLON, B.A; ROSSI, S; LISANBY, S.H. Randomized sham-controlled trial of repetitive transcranial magnetic stimulation in treatment-resistant obsessive–compulsive disorder. International Journal of Neuropsychopharmacology, New York, v. 13, p. 217–227, 2010.
XIAOYAN, M; YUEQIN, H; KIWEI, L; YI, J. A randomized double-blinded sham-controlled trial of α electroencephalogram-guided transcranial magnetic stimulation for obsessive-compulsive disorder. Chinese Medical Journal, China, v. 127, n. 4, p. 601-606, 2014.
Texto: Sabrina Pereira Silva
Revisão: Relber A. Gonçales
Share:

Facebook

Sobre